Cenário Externo
Os dados de inflação continuaram a tendência benigna. A divulgação do CPI
com uma leitura abaixo do consenso de mercado e com abertura benigna
corroborou para a tese de redução das pressões inflacionárias nos EUA. De fato,
as principais contribuições para a inflação baixa em maio foram os preços de
energia, enquanto o grupo de alimentação reverteu a deflação registrada no
mês anterior. O núcleo também apresentou leitura abaixo do esperado, com
deflação no grupo de bens de consumo e desaceleração nos serviços, inclusivo
no componente de habitação – com efeito, o supercore, que exclui também
este componente, ficou virtualmente estável no mês.
As tensões no Oriente Médio escalaram para ataques diretos entre Israel e Irã.
Na sexta-feira, Israel atacou o território iraniano visando interromper – ou pelo
menos atrasar – as pesquisas e desenvolvimento nuclear do país, o que levou ao
aumento da belicosidade na região conforme o Irã lançou sua própria iniciativa
retaliatória. Como resultado, os mercados globais iniciaram um movimento de
aversão ao risco sob a perspectiva de encarecimento do petróleo, o que
prejudicou as performances das bolsas globais no geral. Internamente, o
cenário-base não é de piora mas intensa nas tensões, ao passo que o petróleo
não deve representar uma fonte inflacionária tão substantiva ao longo do ano.

Cenário Interno
Em conjunto com a indústria, os setores de serviços e do varejo também
moderaram em abril. O primeiro dado setorial de atividade econômica do
segundo trimestre apontou para moderação da produção industrial,
especialmente da indústria de transformação. No entanto, mesmo que este
resultado represente uma evidência do nosso cenário-base de desaceleração
gradual da economia, ele certamente configura apenas uma peça em meio a
outras. De fato, a relativa estagnação da indústria em abril ainda não inspira
confiança para ser extrapolada para os demais setores da economia, como o
varejo e serviços, especialmente tendo em vista os dados robustos de mercado
de trabalho divulgados na semana anterior.
IPCA de maio vem abaixo da prévia e das expectativas do mercado. A leitura
do IPCA de maio reforçou a percepção de moderação da inflação no curto
prazo, com desaceleração ampla entre os principais componentes e núcleos do
índice. Alimentos, serviços e bens industriais mostraram alívio, enquanto a
inflação de preços administrados foi a principal fonte de pressão por conta dos
preços de eletricidade. A difusão recuou e os núcleos apontaram desaceleração
consistente, sinalizando que o IPCA-15 benigno do mês anterior não foi um
ponto fora da curva. O dado fortalece a avaliação de um cenário inflacionário
mais favorável, contribuindo para reduzir a pressão sobre o Copom, que segue
diante de um balanço de riscos ainda incerto. De fato, as tensões de sexta-feira
impuseram um novo peso sobre o risco altista ligado a uma possível alta no
petróleo e em demais commodities.



Fundos Imobiliários
BTLG11: o BTG Pactual Logística anunciou sua 14ª emissão de cotas, com o
objetivo de captar R$ 600 milhões, pelo preço de R$ 104,10 por cota — já
considerando o custo de R$ 0,10 por cota. O preço de subscrição está alinhado
ao valor patrimonial do fundo. Para os atuais cotistas, há a possibilidade de
exercício do direito de preferência até o dia 2 de julho, com fator de proporção
de 0,133 por cota.
Os recursos captados serão destinados à incorporação dos ativos do portfólio
do Santander Renda de Aluguéis (SARE11), sendo que o pagamento será
realizado por meio da troca de cotas, conforme já mencionado em
comunicações anteriores.
TRXF11: o fundo celebrou compromisso para aquisição de 13 imóveis localizados
na região metropolitana de São Paulo e em Atibaia (SP), totalizando R$ 543,5
milhões. Os ativos são majoritariamente locados para grandes companhias
como Pão de Açúcar, Extra, Assaí Atacadista e Delboni, todos por meio de
contratos típicos, com prazo médio de 15 anos. O cap rate médio estimado é de
8% para os próximos 12 meses.
A operação foi estruturada priorizando a compensação com créditos detidos
pelo fundo, ou seja, por meio da subscrição de cotas da 11ª emissão do TRXF11,
complementada por recursos financeiros levantados junto ao mercado. O
pacote inclui ativos comprados por valores abaixo do laudo de avaliação,
localizados no estado de São Paulo, fortalecendo a exposição do fundo na
região, que passa a representar cerca de 49% da receita do portfólio.
Nos últimos dias, a gestão comunicou a conclusão da aquisição após o
cumprimento de todas as condições precedentes. O TRXF11 foi imitido na posse
dos ativos e passa a receber imediatamente as receitas de locação.
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