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ETFs no Brasil: o início de um crescimento estrutural?

O patrimônio local quase dobrou em 2025 — e ainda assim o segmento não chega a 1% da indústria de fundos. O que explica o salto e o que falta para o próximo.

3 de julho de 2026 3 min de leitura

Um Exchange-Traded Fund (ETF) é um fundo de investimento negociado em bolsa que replica um índice, cesta de ativos ou estratégia específica, combinando a diversificação de um fundo com a liquidez de uma ação.

O conceito nasceu no Canadá em 1990, mas foi nos Estados Unidos que ganhou escala: o pedido de registro do SPDR S&P 500 (SPY) foi submetido à SEC em 1988 e levou cinco anos para ser aprovado. O resultado valeu a espera — nos anos seguintes, os ETFs evoluíram do simples rastreamento de índices de ações americanas para a cobertura de renda fixa, mercados internacionais, commodities, fatores (smart beta) e, mais recentemente, estratégias ativas.

No Brasil, a indústria teve crescimento expressivo em 2025 — mas representa uma parcela ainda muito pequena do total global.

Os ETFs no mundo e no Brasil

O mercado global encerrou 2025 com US$ 19,5 trilhões em ativos sob gestão, alta de 33% em relação ao ano anterior, impulsionada pela valorização de ações e títulos de renda fixa e por um fluxo líquido de captação de US$ 2,1 trilhões — recorde histórico.

Os EUA dominam esse mercado: com 4.495 fundos e US$ 13,4 trilhões em patrimônio, o país concentra 70% do total global e, internamente, os ETFs já representam 30% de toda a indústria de fundos.

O Brasil segue em outra magnitude, mas com aceleração relevante: o patrimônio dos ETFs locais saltou de R$ 46 bilhões para R$ 82 bilhões ao longo de 2025, e a base de investidores passou de 700 mil para 919 mil cotistas. O segmento ainda representa menos de 1% da indústria doméstica de fundos — uma distância que, na comparação com os norte-americanos, dimensiona tanto o atraso quanto o potencial de crescimento estrutural.

Os motores de 2025

O crescimento dos ETFs no Brasil em 2025 pode ser explicado por cinco fatores:

  • Eficiência tributária: os ETFs não possuem come-cotas nem incidência de IOF, além de serem tributados pelo prazo médio dos ativos subjacentes — o que faz com que um ETF de renda fixa, por exemplo, possa ter alíquota de 15%.
  • Expansão da oferta: a B3 saiu de cerca de 130 para 175 ETFs ao longo do ano, com lançamentos em múltiplas estratégias.
  • Liquidez diária com negociação em bolsa.
  • Baixos custos em comparação com a indústria tradicional de fundos.
  • Modelo fee-based: a adoção crescente da taxa fixa em substituição ao rebate na assessoria de investimentos funciona como vetor estrutural de demanda.

O próximo passo depende da regulação

O avanço do segmento depende de uma agenda regulatória ainda em construção. Os ETFs ativos — produtos que buscam superar um índice de referência em vez de apenas replicá-lo — já representam cerca de 10% da indústria global, mas ainda não são permitidos no Brasil.

A regulamentação pela CVM, esperada para 2027, abriria ao investidor brasileiro acesso a mais uma opção de investimento — e é o principal marco a acompanhar para quem quer entender se o salto de 2025 foi um episódio ou o início de um crescimento estrutural.

Fontes: B3, Bloomberg, Vanguard, SEC, ICI, Anbima  |  Ghia Multi Family Office  |  03 de julho de 2026

 

*Este material foi preparado pela Ghia Multi Family Office (“Ghia MFO”) e tem cunho meramente informativo, não constituindo consultoria ou aconselhamento legal de qualquer natureza. Embora as informações tenham sido obtidas de fontes consideradas confiáveis, nenhuma garantia ou responsabilidade, expressa ou implícita, é feita a respeito da exatidão, fidelidade e/ou totalidade das informações. A Ghia MFO emprega os melhores esforços para assegurar que as informações, opiniões, estimativas e projeções aqui contidas estejam atualizadas no momento de sua elaboração, mas não responde por alterações decorrentes de eventos futuros. Este material não constitui e não deve ser interpretado como solicitação de compra ou venda, oferta, convite, análise de valor mobiliário ou recomendação de qualquer ativo financeiro ou investimento, e não leva em consideração os objetivos de investimento, a situação financeira ou as necessidades específicas de qualquer investidor. Rentabilidade passada não representa garantia de rentabilidade futura. Os interessados devem procurar aconselhamento financeiro conforme seus interesses antes de tomar qualquer decisão de investimento, sendo esta de sua exclusiva responsabilidade.

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