Todos os conteúdos Estudo de Mercado

Copom corta a Selic para 14,50%, mas estreita o caminho à frente

A ata da 278ª reunião mantém o tom dovish e o compromisso com o ciclo — só que com o espaço para novos cortes visivelmente menor.

5 de maio de 2026 5 min de leitura

O Copom deu sequência ao ciclo de “calibração” do aperto monetário com um corte de 0,25 p.p., levando a Selic a 14,50% ao ano, em decisão unânime. A ata aprofundou a justificativa para a continuidade do ciclo, mas trouxe uma camada adicional de cautela em relação à 277ª reunião.

Apesar do corte, a leitura da ata evidencia que o espaço para cortes adicionais ao longo de 2026 tornou-se acentuadamente mais estreito — algo que já havia sido sugerido na ata anterior e permanece na comunicação.

O comitê ainda demonstra intenção de continuar o ciclo, vide a afirmação de que a permanência da Selic em 15% por tempo prolongado ainda produz desaceleração. Interessante destacar, nesse contexto, a avaliação de que os eventos recentes não impedem a continuidade do ciclo.

Nosso índice de sentimento de atas do Copom indicou comunicação semelhante à anterior, ainda em território dovish. Isso foi impulsionado pelo corte realizado e pela menção à desaceleração da atividade econômica, mesmo frente a dados mistos. A desancoragem das expectativas foi atenuada pela menção da guerra como elemento de incerteza.

Cenário externo

A avaliação externa permanece deteriorada. O comitê destacou a persistência da elevada incerteza global, em função da falta de clareza sobre a duração, extensão e consequências dos conflitos no Oriente Médio — fatores que seguem alterando as condições financeiras globais e elevando a volatilidade nos preços de ativos e commodities. A condução da política econômica nos EUA permanece um vetor adicional de incerteza, exigindo cautela reforçada das economias emergentes.

Atividade econômica e mercado de trabalho

Atividade: o comitê reiterou que a economia segue em trajetória de moderação no crescimento, como antecipado, com os efeitos da política restritiva ainda sendo sentidos no início de 2026 — destaque para a desaceleração do crédito, em particular do segmento não direcionado.

Sinais mistos: dados preliminares do 1T26 continuam a apontar recuperação em relação ao final de 2025, em linha com a expectativa de PIB positivo em 2026, ainda que menor do que em 2025. O Copom ressaltou a heterogeneidade entre setores — mercados mais sensíveis a condições financeiras desaceleram mais, enquanto os mais sensíveis à renda mostram maior resiliência.

Emprego e renda: o diagnóstico estrutural permanece inalterado. O mercado de trabalho segue resiliente, com desemprego em patamares historicamente baixos e rendimentos reais expandindo-se acima da produtividade.

Inflação, expectativas e fiscal

Dinâmica corrente: as leituras anteriores ao início dos conflitos vinham mostrando arrefecimento generalizado, beneficiadas por câmbio mais apreciado e pelo comportamento mais benigno das commodities. Contudo, as últimas leituras — tanto ao consumidor quanto ao produtor — trouxeram sinais claros dos efeitos dos conflitos no Oriente Médio, vindo significativamente acima do esperado. A inflação de serviços segue mostrando alguma desaceleração, ainda que mais resiliente, em resposta a um mercado de trabalho dinâmico.

Expectativas: as projeções do Focus para o IPCA continuam desancoradas em todos os horizontes — 4,9% para 2026 (contra 4,1% na ata 277) e 4,0% para 2027. O destaque foi a desancoragem adicional em horizontes mais longos, particularmente para 2028. O comitê foi incisivo ao pontuar que o custo desinflacionário será maior diante dessa desancoragem continuada.

Balanço de riscos

Tanto os riscos altistas quanto os baixistas permanecem mais elevados do que o usual, dada a incerteza associada aos conflitos no Oriente Médio. O Copom reafirmou explicitamente seu compromisso em combater os efeitos secundários do choque de oferta de petróleo e derivados.

Riscos de alta

  • Desancoragem das expectativas por período mais prolongado, com horizontes mais longos incorporando potenciais efeitos secundários das restrições de oferta no petróleo e derivados;
  • Resiliência da inflação de serviços maior do que a esperada, associada a um hiato do produto mais positivo;
  • Conjunção de políticas econômicas internas e externas com impacto inflacionário acima do esperado, por exemplo via câmbio persistentemente mais depreciado.

Riscos de baixa

  • Desaceleração da atividade doméstica acima do projetado;
  • Desaceleração global mais aguda em decorrência dos choques de comércio e de petróleo;
  • Recuo nos preços de commodities, com efeitos desinflacionários.

Revisão das projeções de inflação

O cenário de referência aponta para nova elevação substancial nas estimativas inflacionárias para 2026 frente às projeções da 277ª reunião, com piora generalizada tanto nos preços livres quanto nos administrados. A projeção para o horizonte relevante também foi revisada para cima.

O saldo: a revisão para cima nas projeções, somada ao aprofundamento da desancoragem das expectativas para 2028, reforça o tom mais cauteloso da comunicação e indica que o espaço para cortes adicionais nos próximos meses foi novamente comprimido. A continuidade do ciclo de calibragem está condicionada à evolução do cenário externo — em especial a duração e os efeitos dos conflitos no Oriente Médio — e à dinâmica de preços e expectativas no curto prazo.

Fontes: Banco Central do Brasil (ata da 278ª reunião do Copom), Boletim Focus  |  Ghia Multi Family Office  |  05 de maio de 2026

 

 

*Este material foi preparado pela Ghia Multi Family Office (“Ghia MFO”) e tem cunho meramente informativo, não constituindo consultoria ou aconselhamento legal de qualquer natureza. Embora as informações tenham sido obtidas de fontes consideradas confiáveis, nenhuma garantia ou responsabilidade, expressa ou implícita, é feita a respeito da exatidão, fidelidade e/ou totalidade das informações. A Ghia MFO emprega os melhores esforços para assegurar que as informações, opiniões, estimativas e projeções aqui contidas estejam atualizadas no momento de sua elaboração, mas não responde por alterações decorrentes de eventos futuros. Este material não constitui e não deve ser interpretado como solicitação de compra ou venda, oferta, convite, análise de valor mobiliário ou recomendação de qualquer ativo financeiro ou investimento, e não leva em consideração os objetivos de investimento, a situação financeira ou as necessidades específicas de qualquer investidor. Rentabilidade passada não representa garantia de rentabilidade futura. Os interessados devem procurar aconselhamento financeiro conforme seus interesses antes de tomar qualquer decisão de investimento, sendo esta de sua exclusiva responsabilidade.

Fale conosco e comece um novo
capítulo da gestão do seu patrimônio.

(34) 3222-3608 Segunda a Sexta, 8h às 18h
contato@ghiamfo.com.br Respondemos em até 24h
Uberlândia · Goiânia · Cuiabá Av. Rondon Pacheco, 4600 Torre UBT, 8º andar

Agende uma conversa individual com um planejador financeiro Ghia.

Ao enviar, você concorda com nossa Política de Privacidade. Seus dados estão protegidos.